
Passado incerto
A notícia: arqueólogos iraquianos anunciaram nesta quarta-feira, 1º de abril, a descoberta de 4 mil artefatos, em sua maioria da antiguidade babilônica. São carimbos reais, talismãs e tabuletas de argila marcadas em escrita cuneiforme sumeriana, a mais antiga forma conhecida de escrita. Também foram encontrados artefatos do Império Persa e outros de cidades islâmicas medievais.
O regozijo: e segue a reportagem, a lembrar da Mesopotâmia antiga, entre os rios Tigre e Eufrates, berço da civilização e zona de tesouros aparentemente inesgotáveis, que de tempos em tempos emergem pelas mãos de dedicados arqueólogos e seguem para o Museu Nacional, em Bagdá. A sensação é de conforto, regozijo – temos, homens e mulheres, um pouco mais de história que nos conforte diante do futuro incerto.
O medo: o prazer de ler essa notícia, infelizmente, não dura. Inevitavelmente vem à mente a imagem do Museu Nacional de Bagdá atacado por saqueadores, durante a invasão do Iraque pelos Estados Unidos. Sumiram 15 mil artefatos; apenas 6 mil foram recuperados. Poderia acontecer de novo uma guerra que danificasse esse ou outro museu, essa ou outra região que guardasse nossa história, aquela que nos conforta diante do tal futuro incerto?
Reconheçamos que um sistema que torna até o passado incerto, às vezes, precisa ser profundamente questionado.
Por Liliana Pinheiro
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